Aconteceu

Morreu Maria Isabel Barreno

10 de julho de 1939, Lisboa – 3 de setembro de 2016

 

Em 2007 tive o imenso prazer de conversar com Maria Isabel Barreno sobre as Novas Cartas Portuguesas, os feminismos e o Movimento de Libertação das Mulheres.
Aqui fica um pequeno excerto da nossa conversa.
“Eu não acho que tenha havido um movimento feminista português. Acho que nem possivelmente o da primeira vaga.” (…)
“O feminismo é sempre antifascista até porque eu acho que a primeira opção, em termos históricos, em termos até de toda a estrutura de opressões que se vão organizando na sociedade, a primeira opressão é realmente a dos homens sobre as mulheres. É essa depois que vai gerando todas as outras, aliás, não é por acaso que o fascismo teve sempre aquela visão das mulheres em casa, do papel tradicional das mulheres, uma visão absoluta dos géneros, etc.”(…)

“O feminismo é sempre antifascista”

 

“E aquelas pessoas que acham que esta questão do feminismo é assim uma espécie de conversa de salão que não é preciso as pessoas estarem informadas só porque as questões de mulheres são sempre “menores” e partem do pressuposto: ”Eu cá acho”, pensando que isso  valida qualquer coisa, eu para isso não tenho pachorra! (…) essas discussões irritavam-me e agora, simplesmente, não as tenho. Aliás, agora quando me convidam para colóquios sobre feminismo digo logo que não, isso para mim já acabou, já disse o que tinha a dizer…ouvir as mesmas coisas, dizer as mesmas coisas!”

Cristiana Pena
Ativista Queer Independente Mestre em Estudos sobre as Mulheres
Mestre em Cultura Visual
cristianapena@gmail.com