Aconteceu

Madonna, a estrela da música norte-americana foi galardoada com o prémio Billboard Woman in Music 2016

 

Da redacção

Aquando da cerimónia da entrega do prémio, esta célebre cantora subiu ao púlpito e proferiu um denso e objectivo discurso onde num primeiro momento fez uma retrospectiva da vida que viveu na cidade de Nova Iorque.
Na sua intervenção utilizou palavras que atravessaram o vernáculo até a sua citação em que fez referência “que não sou dona de nada , tudo o que eu tenho é um presente de Deus”.
Mais a frente sublinhou: “ estou a receber um prémio por ser a Mulher do Ano, no entanto questiono-me: o que poderei eu dizer sobre o facto de ser considerada uma mulher nos negócios da música?” E acrescentou: “o que poderei eu dizer por o facto de ser mulher?” Ante esta interrogação Madonna afirmou: “quando comecei a compor músicas não pensei nesse lado da criatividade como uma forma específica de género. Eu não pensava em feminismo, eu só queria ser uma artista.”
Ainda dentro deste raciocínio destacou que no princípio da sua carreira foi inspirada por Debbie Harry, Chrissie Hynde e Aretha Franklin, no entanto a sua verdadeira musa era David Bowie. Sem qualquer preocupação de eventuais considerações às suas palavras, Madonna frisou que este Homem enorme incorporava o espírito feminino e o espírito masculino, sendo que este binómio a fazia pensar que não existiam regras, no entanto concluiu que estava errada. E errada, porque só não há regras para os homens, se for mulher tem que entrar necessariamente no mundo dos homens.
Completamente despida de preconceitos deixou claro que às mulheres é permitido ser bonita, elegante e sexy, mas que não têm o direito de ser muito inteligentes. Às mulheres não estão reservadas opiniões que sejam diferentes do pensamento geral.
Noutra passagem da sua intervenção, Madonna recordou momentos inteiramente pintados pelo negativismo e pela derrota, como: “Tu serás criticada, serás a vilã e, definitivamente as tuas músicas jamais tocarão nas rádios. Foram de facto dias muito violentos e que levaram a posar para fotos que foram publicadas nas revistas Playboy e Penthouse, sendo esta a via que eu encontrava para angariar recursos. Essas fotos não eram ousadas, aliás até mostravam o quanto o meu espírito estava vazio quando as fotografia foram publicadas eu não me sentia envergonhada, e esse meu sentimento confundiu as mentes das pessoas mais perversas.”
Recordamos que Madonna no ano de 1985 casou com Sean Penn de quem se divorciou em 1989. Recuperamos esta informação só para enquadrar mais uma citação de Madonna no seu discurso: “anos mais tarde, divorciada e solteira – desculpe Sean Penn – protagonizei o álbum Erótica e escrevi o livro Sex, tenho presente que à época era apelidada de vadia e de puta, sendo que uma manchete de um jornal de referência me comparava ao Diabo. Foi um período cinzento em que me senti paralisada e que obedeceu a um largo tempo de recuperação para continuar com a minha vida de criação, mas ultrapassei e voltei a ser quem sou. Guardo na memória o meu desejo em encontrar um modelo feminino em quem me pudesse apoiar e foi na poesia de Maya Angelou que encontrei o conforto que tanto necessitava.
E terminamos com mais uma forte citação deixada por esta Mulher que enche o mundo com a sua voz: “Camille Paglia, uma famosa escritora feminista afirmou que eu distorcia a imagem das mulheres ao objetificava-me sexualmente. Aí eu pensei, se você é feminista, tem que negar a sua sexualidade, pensamento que me levou a uma única objecção: foda-se!”