Editorial

A Associação ComuniDária e muito particularmente eu, Maria Magdala, temos sido objetificadas de nefastos comentários com conteúdos nitidamente xenófobos e misóginos, nomeadamente no Site da Associação e no Facebook.
Enquanto pessoa e presidente de uma organização não governamental, cuja missão está centrada nos Direitos Humanos de TODAS as mulheres e não só de algumas, que escolheram Portugal para desenvolverem as suas vidas, deixo aqui o meu “grito”, não de desconforto pelas vozes que vão grunhindo nos referidos comentários, mas antes para ser eu a “gritar” bem alto, na minha qualidade de defensora de pessoas que diariamente enfrentam os preconceitos de uma sociedade civil pautada pelos falsos moralismos e duvidosos bons costumes. Defendo que as causas, sejam elas de que índole forem, deveriam ser compreendidas sem necessariamente serem aceitas.
A Associação ComuniDária, entendeu defender, ou melhor, tentar encontrar condições minimamente dignas, para quem está inserida/o ou submersa/o no Trabalho Sexual.
A prostituição existe e a ela devem ser criados todos os meios que desaguem na dignidade mínima da profissão defendida na Petição da Legalização da Prostituição em Portugal.
Hoje estamos empenhadas e empenhados no labiríntico mundo da prostituição, amanhã e mais uma vez, estaremos onde for necessário e onde quisermos estar.
Leitoras e leitores, o espírito das e dos que querem abolir a prostituição ou xenófobo, é um trilho que só provoca danos e divisões, pelo que jamais serei vencida por vozes destituídas de civismo e maquiladas de santidade.
Com esta edição da e-Magazine, continuamos a dar palco às putas, (leia-se mulheres autodeterminadas, mulheres desobedientes do patriarcado e matriarcado, em total controlo sobre si próprias), na secção Aconteceu apresentamos a primeira startup de prostituição gerida por mulheres.
Nos Ecos da Desigualdade está expressa a realidade desconhecida das mulheres em prisões, um artigo da investigadora Vera Silva.
E termino a sublinhar a inédita Entrevista feita a Uma prostituta de rua pelo jornalista Carlos Gamito e dirigida pela minha pessoa.

Saudações acolhedoras,

Maria Magdala
Presidente da Associação ComuniDária
magdala.comunidaria@gmail.com