Entrevista “Putas sem Paredes”

Considerando a delicadeza e consequente estigmatização do tema desta entrevista, foi decido entre o jornalista e a entrevistada, que a sua publicação seria só no formato áudio e algumas imagens não identificativas da interlocutora. Assim, sem filtros ou palavras dispostas pela escrita, ficam os testemunhos nus de uma prostituta de rua, aqui chamada de “Patrícia”.
No cumprimento da ética e deontologia jornalística, deixamos a informação de que este trabalho foi realizado para a Associação ComuniDária, sendo que esta Associação fez questão, junto do jornalista, de realçar que a entrevista está publicada na íntegra. Foi um trabalho jornalístico que paradoxalmente nos transmitiu dois sentimentos: enriquecimento humano trazido pela dor de alma de uma Mulher, e, simultaneamente, sentir a trepidação desordenada do peito provocada pelos acelerados batimentos cardíacos desamarrados em forma de gritos lancinantes a arguirem a densa negridão de uma vida de quem nasceu sem o ter pedido, no entanto, se atentarmos às palavras firmes e verticais da “Patrícia”, verificamos que o sentimento desta Mulher não se enquadra com a resignação. A “Patrícia”, através dos paralelos que estabeleceu nos cruzamentos da vida, mostra-se bem consciente do trabalho que exerce e não utilizou uma única sílaba que nos leve a encontrar qualquer infortúnio ou emoção pelo facto de praticar a prostituição.
À “Patrícia”, endereçamos o nosso eterno reconhecimento sustentado pelo amplo desejo de que o futuro a obsequeie com novas oportunidades adornadas por rasgados sorrisos de paz e alegria. Aos nossos governantes apelamos para que sejam criadas condições dignas e humanas no eixo que encerra o exercício da prostituição em Portugal.

Lê, reflete e assina a assustadora Petição!

 

Participa, Divulga, Transforma!