Nasceu em Amsterdão a primeira startup de prostituição gerida pelas próprias mulheres

Imagem do site https://myredlight.nl/

Se o feminismo busca reconstruir a história das mulheres na sociedade, a luta das putas é, também, uma luta feminista!

Mundialmente conhecido pelas diversas atividades de sexo que disponibiliza, entre outras, o Distrito Luz Vermelha de Amsterdão (Amsterdam Red Light District) viabilizou, em 2000, a legalização indubitável do trabalho sexual através da introdução de uma Lei, que regularizou a prostituição estabelecendo normas, regulamentos e práticas de organização para o negócio (embora legal desde 1830, até 1980 não existia nenhuma lei que proibisse o lucro através exploração). No entanto, ao nível da sociedade como um todo, o trabalho sexual não é ainda considerado uma profissão “regular”, tal como acontece com qualquer outro trabalho realizado ou serviço prestado.
Ao longo de uma década, as pessoas trabalhadoras do sexo na “Red Light District” manifestaram-se o seu desejo (e pelo seu direito) de iniciar um negócio que elas próprias pudessem gerir. Mas foi em junho de 2013, que a Câmara Municipal de Amsterdão aprovou a moção para designar o Conselho Executivo do município com a tarefa de investigar se uma empresa de “prostituição de janelas” fundada e administrada por profissionais do sexo poderia ser uma realidade. Aprovada e tornada iniciativa, veio a permitir que, cerca de quarenta trabalhadoras, definissem o quanto iriam cobrar pelos serviços que prestam, num país onde já pagam os seus impostos e usufruem de segurança social. www.amsterdam.nl/zorg-ondersteuning/prostitutie/ (Prostituição em Amsterdão)
A equipa do “My Red Light” e do Conselho de Administração é maioritariamente composta por pessoas que possuem uma história de vida no trabalho sexual. Neste momento, faz-se História, com o primeiro coletivo Holandês das/os trabalhadoras/es do sexo, já que se trata de um grupo de profissionais do sexo que aluga quartos juntas e de forma independente: são já quatro edifícios e catorze janelas!
“My Red Light” é financiada pelas “Rabobank, Rabobank Foundation” e “Start Foundation”(Venture philanthropy fund Start Foundation), assim como fortemente apoiada pela organização de saúde e de assistência social de Amesterdão “HVO-Querido” a qual faculta conselhos e apoio prático durante o processo de estabelecimento da start-up (via https://myredlight.nl/press).
Sugerimos vivamente a visita do site, que está muito bem estruturado e é bastante intuitivo, quer para pessoas curiosas, visitantes ou trabalhadoras do sexo. Para além disso, e porque consideram a opinião das pessoas trabalhadoras do sexo deveras importante, o mesmo convida a todas as pessoas trabalhadoras do sexo que estão a alugar uma janela na My Red Light a expressar as suas ideias sobre as condições de aluguer, as condições de trabalho, entre outras questões que considerem importantes para o desenvolvimento do seu trabalho. Quer se trate de mulheres, homens, transgéneros e demais expressões identitárias e orientações sexuais, a prioridade é providenciar um local de trabalho seguro e prazeroso para todas as pessoas trabalhadoras do sexo e para a clientela.

A “My Red Light” é responsável por tudo, incluindo o design e a gerência dos espaços (decoração e etc.), baseando-se no conhecimento e na experiência das pessoas trabalhadoras do sexo.
Para mais informações, consultem o site: https://myredlight.nl/ (disponível em holandês e inglês).